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Paramount chega a acordo e destrava compra da Warner

Paramount fecha acordo da compra da Warnerbros.Discovery

A Paramount chegou a um acordo com os 12 procuradores-gerais estaduais que haviam entrado com uma ação antitruste para impedir a aquisição da Warner Bros. Discovery. O entendimento, liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, representa o último grande obstáculo judicial para a conclusão da operação, avaliada em US$ 110 bilhões.

Os detalhes completos ainda seriam anunciados oficialmente, mas a Paramount aceitou algumas concessões. Entre elas estão salvaguardas para a CNN, penalidades financeiras relacionadas ao compromisso de David Ellison de produzir 30 filmes por ano e algum tipo de separação entre os estúdios durante determinado período. Segundo o Wall Street Journal, a empresa não precisará vender canais de TV a cabo.

O acordo encerra uma disputa que vinha ameaçando a operação desde julho, quando os procuradores-gerais entraram com a ação, um mês depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter aprovado a fusão. O julgamento estava marcado para março de 2027, mas a Paramount pressionava para resolver o processo antes de 1º de outubro, quando começaria a cobrança de uma ticking fee de US$ 7 milhões por dia à Warner. Se a conclusão do negócio fosse adiada até a primavera, o custo poderia chegar perto de US$ 2 bilhões.

Bonta havia exigido inicialmente medidas estruturais consideradas difíceis de aceitar por David Ellison. As negociações avançaram depois que sua equipe apresentou novas propostas. Até poucos dias atrás, quatro dos 12 procuradores-gerais ainda resistiam ao acordo, temendo que as concessões fossem insuficientes.

A compra da Warner foi anunciada em fevereiro, por US$ 31 por ação, avaliando a empresa em US$ 81 bilhões em valor de mercado e US$ 110 bilhões em valor empresarial. A Paramount prevê mais de US$ 6 bilhões em sinergias. O negócio seria financiado por US$ 47 bilhões em capital próprio e US$ 54 bilhões em dívida, com Larry Ellison, pai de David, garantindo pessoalmente a maior parte do investimento em ações.

A operação já havia recebido aprovação do DOJ, da União Europeia, do Reino Unido e de outras jurisdições. O processo dos estados, entretanto, apontava possíveis problemas concorrenciais em três áreas: programação de TV a cabo, filmes de lançamento amplo e grandes produções cinematográficas. O WGA, sindicato dos roteiristas, também entrou na Justiça contra a fusão.

A disputa provocou ainda uma batalha política e de relações públicas. A Paramount defendia que a combinação fortaleceria a indústria, enquanto opositores alertavam para possíveis demissões e para a dívida estimada da companhia resultante. Ao mesmo tempo, aumentava a pressão sobre Bonta diante da ameaça de David Ellison de transferir a Paramount para outro Estado. Texas e Tennessee chegaram a ser considerados possíveis destinos, mas a mudança não deverá acontecer.

A trajetória de Ellison até a Warner também foi acelerada. Depois de a Skydance concluir a aquisição da Paramount por US$ 8 bilhões, ele iniciou uma ofensiva para comprar a WBD. A Warner chegou a negociar com a Netflix, anunciando em dezembro de 2025 um acordo para vender seus estúdios e operações de streaming. Ellison, porém, continuou aumentando sua oferta, até a WBD optar pela proposta da Paramount. A Netflix decidiu não apresentar uma contraproposta e deixou a negociação mediante uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões.

Outro ponto que permanece no radar é a estrutura acionária da nova empresa. Após a aprovação da Paramount pela FCC, em 17 de setembro, três fundos soberanos do Oriente Médio — da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos — foram autorizados a deter, em conjunto, 49,5% da companhia resultante. Segundo a Paramount, as ações não terão direito a voto e os fundos não participarão das decisões de governança, operações ou conteúdo.

Agora a novela ParaBros entra em outra fase: a conclusão da operação e, principalmente, a integração de dois gigantes de Hollywood sob o comando da Paramount Skydance.

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