Home / Negócios na Telinha / Disney e Paramount: Negócios em Hollywood

Disney e Paramount: Negócios em Hollywood

Negócios em Hollywood

Enquanto a Disney avança em uma estratégia de enxugamento de seus negócios tradicionais de televisão, a Paramount tenta acelerar judicialmente a fusão com a Warner Bros., em movimentos que revelam estratégias bastante diferentes diante das transformações do mercado de mídia.

A Disney está se preparando para vender à Hearst sua participação de 50% na A+E Global Media, empresa que controla canais como A&E, History, Lifetime e LMN. O negócio, avaliado em mais de US$ 1 bilhão, dará à Hearst o controle integral da companhia e deverá ser concluído na próxima semana, com o anúncio previsto para coincidir com a divulgação dos resultados trimestrais da Disney, em 5 de agosto.

A operação representa mais um passo na redução da exposição da Disney ao mercado de televisão por assinatura. A companhia mantém uma participação na A+E há mais de uma década, mas vem procurando se desfazer do ativo há pelo menos um ano, em meio à perda de relevância econômica dos canais lineares diante do avanço dos serviços de streaming.

Nos documentos apresentados à SEC, a Disney informou que seu investimento na A+E tinha valor contábil de aproximadamente US$ 2 bilhões em março de 2026. No mesmo trimestre, entretanto, registrou uma baixa contábil de US$ 147 milhões relacionada ao investimento. A venda por mais de US$ 1 bilhão, portanto, reforça a disposição da empresa em transformar ativos tradicionais em recursos financeiros e concentrar seus esforços em áreas consideradas mais estratégicas para o futuro.

Com a operação, a Hearst passará a controlar integralmente a A+E Global Media. O atual presidente e chairman, Paul Buccieri, permanecerá no comando e continuará se reportando ao CEO da Hearst, Steve Swartz. Além dos canais de televisão, a empresa possui operações de produção de conteúdo, estúdios e serviços digitais e de streaming, como Lifetime Movie Club e History Vault.

A trajetória da A+E também mostra como o setor se transformou. A empresa nasceu de uma parceria que envolvia Disney, Hearst e NBCUniversal. Em 2009, a companhia adquiriu a Lifetime Entertainment Services e, em 2012, a NBCUniversal vendeu sua participação de 15,8% para Disney e Hearst. Agora, a Disney deixa definitivamente a sociedade, enquanto a Hearst amplia sua presença no negócio.

Paramount tenta acelerar fusão com a Warner Bros.

A estratégia da Paramount é praticamente oposta. Em vez de reduzir sua exposição ao mercado de mídia tradicional, a empresa busca ampliar sua escala por meio da aquisição da Warner Bros., mas enfrenta uma nova batalha judicial que pode alterar o cronograma da operação.

A Paramount pediu a uma juíza federal que marque para novembro o julgamento de uma ação antitruste apresentada por uma coalizão de 12 estados americanos, entre eles Califórnia e Nova York, contra a fusão avaliada em US$ 111 bilhões. Os estados, apoiados pelo Writers Guild of America (WGA), defendem que o julgamento seja realizado somente em abril de 2027.

A disputa é particularmente importante porque a Paramount começará a pagar US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. a partir de 30 de setembro caso a operação ainda não tenha sido concluída. A empresa argumenta que prolongar a incerteza também prejudica profissionais da indústria e consumidores.

Os estados, porém, consideram o calendário proposto pela Paramount excessivamente acelerado. Segundo os procuradores, seria necessário mais tempo para obter documentos, ouvir executivos e preparar os depoimentos de especialistas que deverão ter papel importante no julgamento. O processo acusa a fusão de reduzir a concorrência nos mercados de televisão por assinatura e distribuição cinematográfica. O WGA acrescentou uma preocupação específica com o impacto da concentração sobre o mercado de trabalho dos roteiristas.

A Paramount sustenta justamente o argumento contrário: a união das duas companhias criaria um grupo de mídia mais forte para competir com gigantes do streaming, como Netflix e Amazon Prime Video. A empresa também afirma que o processo antitruste representa uma tentativa de atrasar uma transação que já recebeu aprovação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e de autoridades regulatórias de diversos outros mercados.

A juíza Araceli Martinez-Olguin já havia determinado uma suspensão temporária da operação por 28 dias. Posteriormente, a própria Paramount concordou em manter o negócio suspenso até o julgamento, evitando, na prática, uma nova disputa imediata em torno de uma liminar.

Dois caminhos para um mesmo mercado em transformação

Os movimentos da Disney e da Paramount revelam, portanto, estratégias distintas diante do mesmo problema. A Disney está se desfazendo de uma participação em um negócio tradicional de televisão para concentrar capital e atenção em áreas consideradas mais importantes para sua transformação digital. A Paramount, por outro lado, tenta ganhar escala justamente por meio da consolidação de ativos de mídia.

A diferença é significativa. A Disney procura simplificar sua estrutura e reduzir a dependência de negócios afetados pelo declínio da televisão por assinatura. A Paramount aposta que uma empresa maior, com um catálogo mais amplo e maior capacidade de produção e distribuição, poderá enfrentar em melhores condições a competição das plataformas de streaming.

O resultado da disputa judicial será decisivo para essa segunda estratégia. A Paramount tem até 4 de junho de 2027 para concluir a transação, mas pretende evitar que o processo se prolongue até o próximo ano. Para os estados e o WGA, entretanto, a dimensão da operação exige uma investigação mais aprofundada.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *