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Crise na aquisição da WarnerBros.Discovery

Paramount e a crise na compra da WarnerBros.Discovery

Paramount ameaça deixar a Califórnia em meio à batalha contra fusão com a Warner Bros. Discovery

A disputa em torno da possível fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo. David Ellison, presidente e CEO da Paramount, está preparado para iniciar a transferência das operações da empresa para fora da Califórnia a partir de 1º de outubro, caso o procurador-geral do estado, Rob Bonta, não aceite negociar um acordo para encerrar a ação antitruste que tenta impedir a união das duas companhias. A informação foi confirmada pela Variety.
Segundo fontes ouvidas pela publicação, Ellison comunicou a decisão a um grupo de 12 executivos principais da Paramount durante uma reunião realizada em 5 de agosto, nas instalações da empresa. O conselho da Paramount Skydance já teria aprovado a medida. A companhia, porém, não comentou oficialmente a possibilidade de transferência.
A ameaça ocorre em um momento particularmente delicado para a operação. Bonta lidera a ofensiva judicial dos procuradores-gerais de 12 estados americanos contra a fusão e já indicou que eventuais concessões consideradas suficientes para retirar a ação precisariam ser “estruturais”, o que significa medidas como desinvestimentos de ativos. Soluções apenas comportamentais, como compromissos relacionados à produção ou às práticas comerciais, não seriam suficientes.
A estratégia de Ellison representa, portanto, uma pressão adicional sobre o procurador-geral da Califórnia. Caso as negociações não sejam iniciadas, a Paramount começaria a preparar a saída do estado, onde mantém uma de suas principais bases históricas. A sede do estúdio em Los Angeles seria o primeiro ponto a ser transferido.
A mudança, contudo, não seria imediata nem simples. Segundo as informações divulgadas pela Variety, Ellison teria apresentado um plano de aproximadamente cinco anos para transferir a maior parte dos empregos da companhia para fora da Califórnia. A Paramount ainda não decidiu qual cidade receberia sua nova sede, avaliando alternativas como Geórgia, Texas e Tennessee, estados que oferecem incentivos fiscais à indústria audiovisual.
A possibilidade de uma transferência em larga escala também preocupa funcionários e executivos. Uma mudança desse porte poderia provocar pedidos de demissão, especialmente diante da expectativa de cortes de pessoal caso a aquisição da Warner Bros. Discovery seja aprovada. A combinação das duas empresas deverá exigir uma ampla reestruturação para eliminar custos e sobreposições de operações.

O relógio financeiro
A ameaça de deixar a Califórnia ocorre paralelamente a outro problema: o calendário da negociação com a Warner Bros. Discovery.
A partir de 1º de outubro, a Paramount começará a acumular uma ticking fee de US$ 7 milhões por dia, valor que será devido aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso o negócio ainda não tenha sido concluído. Como o julgamento da ação antitruste está programado para começar em 2 de março de 2027, a conta poderá chegar a aproximadamente US$ 1,2 bilhão até o término previsto do julgamento.
É importante destacar que essa quantia não representa um pagamento imediato: a obrigação só será efetivamente devida se a transação for concluída.
O julgamento, que poderá determinar o futuro da operação, foi colocado no calendário para março de 2027. A disputa envolve os procuradores-gerais estaduais e também a resistência de outros setores da indústria ao negócio.

Alteração no mapa de Hollywood?
A possível transferência da Paramount teria ainda um peso simbólico. O estúdio está profundamente ligado à história de Hollywood e mantém seu complexo na 5555 Melrose Avenue, em Los Angeles. É dali que Ellison e parte de sua equipe comandam atualmente as operações.
Apesar disso, nos documentos apresentados à SEC, a Paramount Skydance ainda registra 1515 Broadway, em Nova York, como endereço de seus principais escritórios executivos — herança da antiga Paramount Global.
A ideia de retirar a companhia da Califórnia, caso o estado participasse de uma ação para bloquear a fusão, já havia sido mencionada no mês passado. Agora, porém, a possibilidade ganhou uma data concreta: 1º de outubro.
Para a Paramount, a mudança poderia representar uma transformação profunda em sua estrutura operacional. Para a Califórnia, significaria a possibilidade de perder uma das empresas mais tradicionais da indústria cinematográfica e televisiva instalada no estado.
O momento é especialmente sensível porque, caso a fusão com a Warner Bros. Discovery seja aprovada, a nova companhia deverá passar por uma ampla reorganização. A Paramount Skydance tinha aproximadamente 17.600 funcionários no final de 2025, enquanto a Warner Bros. Discovery empregava cerca de 35.500 pessoas. A expectativa é de que milhares de postos sejam eliminados para reduzir despesas e integrar operações.
A operação também envolve uma complexa estrutura financeira. A Paramount conseguiu compromissos de US$ 24 bilhões de fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos para ajudar a financiar a aquisição. Segundo a companhia, esses investidores ficariam com 38,5% da empresa resultante da combinação, mas não teriam assentos no conselho nem ações com direito a voto.
Assim, a batalha pela Warner Bros. Discovery já ultrapassou a discussão sobre a formação de um novo conglomerado de mídia. Ela agora envolve também o futuro da Paramount na Califórnia e, em uma perspectiva mais ampla, a própria geografia da indústria audiovisual americana.
Acho que essa abordagem funciona melhor para o seu tipo de publicação porque transforma uma sequência de informações da Variety em uma história, sem perder os dados financeiros e jurídicos. E o mais interessante é que a questão da Califórnia passa a funcionar como o elemento dramático da notícia, enquanto a ticking fee, o julgamento e os investimentos do Oriente Médio entram como consequências e complicadores da operação.

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