Da guerra de ofertas com a Netflix à batalha antitruste nos tribunais americanos, a história de uma fusão que pode redesenhar Hollywood.
A história que começou como uma disputa empresarial pela aquisição da Warner Bros. Discovery transformou-se, em menos de um ano, em uma das maiores batalhas corporativas, jurídicas e políticas já travadas em Hollywood.
De um lado está David Ellison, o jovem executivo que assumiu o comando da Paramount Skydance com a ambição de transformar a companhia em um dos grandes competidores do mercado global de entretenimento. Do outro, estão 12 procuradores-gerais estaduais americanos, liderados pela Califórnia, que consideram a aquisição anticompetitiva e tentam impedir que Paramount e Warner Bros. Discovery se transformem em uma única empresa. E no meio disso tudo, estão sindicatos, exibidores de cinema, políticos, reguladores, acionistas e, naturalmente, bilhões de dólares.
A situação chegou a um ponto particularmente delicado neste fim de semana. Paramount e representantes dos procuradores-gerais estaduais deverão se reunir na segunda-feira, 24 de agosto, para discutir a possibilidade de um acordo. O encontro faz parte do processo de mediação determinado pela Justiça, mas ganhou importância política porque ocorre justamente quando a pressão financeira sobre a Paramount aumenta e Gavin Newsom, governador da Califórnia, passou a defender publicamente uma solução negociada.
A companhia já recebeu autorizações regulatórias em 68 jurisdições, incluindo importantes mercados internacionais e o Departamento de Justiça americano. Ainda assim, uma ação movida pelos estados mantém a operação suspensa. O julgamento está marcado para 2 de março de 2027. Mas como chegamos até aqui?
Analisando as principais reportagens sobre o caso, a redação da BesTV conseguiu mapear essa gigantesca disputa, que entrou na História de Hollywood. E para entender o tamanho dessa disputa, é preciso voltar ao início…
A Warner começa a procurar um novo caminho
A Warner Bros. Discovery não chegou à atual situação por acaso. Tudo começou quando a AT&T, uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, comprou a Time Warner em 2016 por volta de 85 bilhões de dólares. Nisso, nasce a Warnermedia, a nova companhia que tem entre outras divisões, a Warner Bros Cinema e Televisão, a HBO, TNT, Cartoon Newor, DC Universe e a CNN.
O problema é que a experiência da AT&T no negócio de conteúdo não produziu os resultados esperados. Poucos anos depois, a empresa começou a procurar uma maneira de se desfazer da WarnerMedia e reduzir o peso financeiro da aquisição.
Foi quando apareceu a Discovery.
Em 2022, AT&T e Discovery concluíram a combinação de WarnerMedia e Discovery, criando a Warner Bros. Discovery. A operação não foi simplesmente uma compra da WarnerMedia por US$ 40 bilhões. A estrutura envolveu a separação da WarnerMedia da AT&T, que recebeu cerca de US$ 43 bilhões em uma combinação de dinheiro, títulos de dívida e retenção de determinadas obrigações, enquanto os acionistas da AT&T ficaram com aproximadamente 71% da nova companhia e os acionistas da Discovery com 29%.
Formada em 2022, a WBD herdou um enorme portfólio de ativos, mas também uma estrutura pesada de dívida e um problema que atingia praticamente toda a indústria tradicional: como competir em um mercado no qual streaming, televisão convencional, cinema e tecnologia passaram a disputar o mesmo consumidor?
A resposta veio de David Zaslav, CEO da Warnerbros.Discovery: reorganizar a companhia. É bom pontuar que Zaslav foi CEO do Discovery entre 2006 e 2022, e principal articulador da compra da Warnermedia. A WBD começou a preparar uma separação de seus negócios de redes tradicionais e de suas operações de entretenimento, enquanto procurava uma estrutura capaz de liberar valor para os acionistas.
Foi nesse momento que Hollywood percebeu que uma das maiores bibliotecas de filmes e televisão do mundo estava, potencialmente, disponível. E os interessados não demoraram a aparecer. Em novembro de 2025, Paramount Skydance, Netflix e Comcast apresentaram propostas relacionadas à aquisição de ativos da Warner Bros. Discovery. A diferença fundamental estava naquilo que cada uma pretendia comprar.
A Paramount queria a empresa inteira. Netflix e Comcast concentravam suas propostas principalmente nos estúdios, HBO e streaming, deixando de lado parte importante da operação de televisão tradicional. Essa diferença acabaria sendo decisiva.
Netflix entra na disputa
A Netflix tinha uma vantagem evidente. Já era a maior empresa de streaming do mundo e poderia incorporar os estúdios Warner, a HBO Max e uma biblioteca gigantesca de conteúdo ao seu próprio ecossistema. Em dezembro de 2025, a Netflix chegou a um acordo para adquirir os estúdios de cinema e televisão da Warner Bros., a DC Studios e a HBO Max por uma operação avaliada em aproximadamente US$ 82,7 bilhões, incluindo dívida. A divisão de redes tradicionais seria separada da operação.
Parecia que a disputa havia terminado. Só que as aparências enganam, como dizia o velho ditado popular. David Ellison não desistiu. E sua estratégia tinha uma característica que a proposta da Netflix não possuía: comprar a Warner Bros. Discovery inteira. Isso significava levar também CNN, Discovery e os demais canais lineares. Era uma proposta muito mais ambiciosa — e muito mais complicada.
Paramount transforma a disputa em uma guerra
Depois de ter suas primeiras propostas rejeitadas, a Paramount passou a negociar diretamente com os acionistas da Warner. A disputa deixou de ser uma negociação convencional entre duas empresas e transformou-se em uma batalha de aquisição. Paramount ofereceu US$ 30 por ação pela totalidade da WBD, em dinheiro, chegando a um valor empresarial próximo de US$ 108 bilhões.
A Netflix continuava defendendo sua proposta de US$ 27,75 por ação, mas para uma quantidade menor de ativos. O argumento de Ellison era direto: a Paramount estava oferecendo aos acionistas uma solução mais abrangente e, posteriormente, mais dinheiro. A Warner, porém, tinha preocupações com a estrutura de financiamento da Paramount e com a segurança de fechamento da operação.
A batalha chegou ao ponto de a Paramount questionar publicamente a condução do processo de venda da Warner, acusando a empresa de favorecer a Netflix. Foi um daqueles momentos em que Hollywood deixou de parecer uma indústria cinematográfica e passou a se comportar como Wall Street.
Fevereiro de 2026: a virada
A disputa ganhou seu capítulo decisivo em fevereiro. A Warner reabriu as negociações com a Paramount depois que a empresa de Ellison apresentou uma nova proposta. A oferta chegou a US$ 31 por ação em dinheiro. A Netflix teve oportunidade de melhorar sua proposta, não deu um passo decisivo nesse sentido.
Em 26 de fevereiro, a empresa de Ted Sarandos e Greg Peters decidiu abandonar a disputa, considerando que aumentar a oferta deixaria o negócio financeiramente pouco atraente. No dia seguinte, Paramount e Warner Bros. Discovery anunciaram o acordo definitivo. Valor empresarial: aproximadamente US$ 110 bilhões. A operação representava cerca de US$ 81 bilhões em valor de mercado e previa US$ 47 bilhões em financiamento de capital e US$ 54 bilhões em compromissos de dívida. David Ellison havia vencido.
Mas vencer a guerra de ofertas era apenas o começo.
O prêmio de Ellison: uma nova potência de Hollywood
O que exatamente a Paramount estava comprando? Uma quantidade extraordinária de propriedades intelectuais que inclui as divisões de produção de filmes e séries da Warner Bros., além da HBO, HBO Max, DC, CNN e Discovery, que se juntariam a Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Nickelodeon. Juntas, as duas companhias formariam um dos maiores acervos de cinema e de televisão dos Estados Unidos.
A nova companhia teria acesso a franquias como Harry Potter, DC, Game of Thrones, Missão: Impossível e Jornada nas Estrelas, além de milhares de filmes e séries. Para Ellison, a lógica era evidente. A Paramount era grande, mas pequena diante de Disney e Netflix. A Warner era grande, mas carregava problemas financeiros e uma estrutura que precisava ser reorganizada. Juntas, poderiam formar uma empresa com escala suficiente para disputar o novo mercado global de entretenimento.
A Paramount projetou aproximadamente US$ 6 bilhões em economias decorrentes da integração das duas companhias. E aqui apareceu uma palavra que sempre surge em grandes fusões: sinergia. Na linguagem empresarial, sinergia significa eliminar duplicidade em cargos e funções para otimizar custos. Na vida real, muitas vezes significa fechar departamentos, reduzir estruturas e eliminar empregos.
Era inevitável que sindicatos começassem a prestar atenção.
A primeira grande batalha: os reguladores
Uma operação desse tamanho não poderia simplesmente ser assinada e concluída. Precisava passar por autoridades regulatórias de diferentes países. E, durante meses, a Paramount foi acumulando autorizações. Em junho, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a aquisição depois de uma análise de aproximadamente oito meses. A autoridade concluiu que a operação não reduziria a concorrência de maneira ilegal e poderia, segundo sua avaliação, fortalecer a capacidade da empresa de competir em um setor em transformação.
Depois vieram outras aprovações importantes: União Europeia, Reino Unido, Austrália, Canadá, Brasil, China e México. Em agosto, a Paramount anunciou que havia obtido todas as autorizações previstas no acordo de fusão em 68 jurisdições. Parecia a reta final.
Mas havia um detalhe: Os Estados Unidos não são apenas o governo federal. E os procuradores-gerais estaduais ainda poderiam entrar em campo.
A Califórnia diz não
Em julho, a história mudou completamente. Uma coalizão de 12 estados, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, entrou com uma ação para impedir a fusão. A argumentação dos estados é diferente daquela utilizada por reguladores que aprovaram a operação. Eles não estão perguntando apenas se Paramount e Warner conseguem competir com Netflix ou Disney. Estão perguntando quanto poder a nova empresa concentraria dentro dos mercados de cinema e televisão americanos.
Segundo os estados, a operação reuniria dois dos grandes estúdios tradicionais de Hollywood e uma parcela significativa da programação televisiva. As consequências, na visão dos autores da ação, poderiam incluir menos concorrência, preços maiores, redução de conteúdo e impactos negativos sobre trabalhadores.
O WGA (Sindicato dos Roteirisas) apresentou sua própria ação, com preocupações semelhantes em relação ao mercado de trabalho dos roteiristas. Foi o momento em que uma aquisição aparentemente aprovada pelo mundo regulatório passou a enfrentar sua batalha mais difícil.
É aqui que está uma das maiores ironias de toda a história. A Paramount pode dizer, com alguma razão, que dezenas de órgãos reguladores examinaram a operação e não encontraram motivos suficientes para bloqueá-la. Mas Bonta também possui um argumento. A aprovação de uma autoridade não obriga outra a chegar à mesma conclusão.
Os mercados analisados podem ser diferentes. As leis são diferentes. As definições de mercado podem ser diferentes. Por isso, o número de aprovações internacionais tem enorme importância política, mas não encerra a questão jurídica americana. É também por isso que o argumento da Paramount — “68 jurisdições aprovaram” — não é suficiente para resolver o processo. A batalha americana é outra.
Quando Hollywood começa a fazer contas
O curioso é que, quanto mais a disputa se prolonga, mais grupos da própria indústria começam a desejar um acordo. Cinema United, entidade que representa os exibidores americanos, passou a defender uma solução negociada. AMC, Cinemark e Regal também demonstraram apoio à conclusão da operação. Essas três maiores redes de cinema dos Estados Unidos possuem, juntas, mais de 1.200 complexos de cinema e aproximadamente 17.500 telas em funcionamento.
Os exibidores estão interessados na promessa da Paramount de manter uma produção cinematográfica significativa e garantir períodos de exclusividade nos cinemas. Entre os compromissos apresentados por Ellison está a produção de 30 filmes por ano durante três anos, com pelo menos 45 dias de exclusividade nos cinemas.
Para sindicatos e organizações da indústria, entretanto, o problema continua sendo outro. Como garantir que essas promessas sobrevivam à fusão? E, principalmente, como fiscalizá-las? É exatamente nesse ponto que Bonta coloca sua principal objeção.
Essa talvez seja a questão jurídica mais importante de toda a negociação. A Paramount oferece compromissos comportamentais. Produzir determinado número de filmes. Manter janelas de cinema. Preservar determinadas operações. Não reduzir determinado tipo de atividade. Bonta quer mais. O procurador-geral afirma que qualquer acordo precisará incluir medidas estruturais robustas.
A diferença é fundamental. Uma medida comportamental exige que uma empresa cumpra uma promessa. Uma medida estrutural altera a própria configuração da companhia. Pode significar vender um ativo, separar uma operação, e impedir que determinadas áreas sejam controladas pela mesma empresa.
É muito mais doloroso para quem está comprando. E é exatamente por isso que a reunião de segunda-feira é tão importante.
O relógio começa a correr
Enquanto os advogados discutem, o contrato continua funcionando. A partir de 1º de outubro, a Paramount terá de pagar uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação por trimestre caso o negócio continue sem conclusão. Na prática, são aproximadamente US$ 7 milhões por dia. Com o julgamento somente em março de 2027, a conta poderá ultrapassar US$ 1 bilhão antes mesmo que um juiz decida o futuro da fusão.
É por isso que a Paramount pediu à Justiça que os 12 estados e o WGA apresentem uma garantia de aproximadamente US$ 1,88 bilhão para cobrir eventuais prejuízos provocados pelo atraso. Bonta respondeu que a Paramount conhecia as condições do contrato quando decidiu assumir o compromisso. É uma discussão jurídica, mas também uma guerra de pressão.
A Paramount queria um julgamento ainda em 2026. Os estados e o WGA pediam mais tempo para preparar o processo. A juíza Araceli Martínez-Olguín estabeleceu o início do julgamento para 2 de março de 2027, com previsão de 12 dias de audiência. Para Ellison, é uma data distante demais. Para os estados, é o tempo necessário para apresentar um processo de tamanha complexidade. E, para a Warner Bros. Discovery, significa continuar em uma espécie de limbo corporativo.
O negócio está assinado. Os acionistas aprovaram. As principais autoridades regulatórias deram sinal verde. Mas a empresa ainda não mudou de mãos.
Então Ellison colocou a Califórnia na mesa
Foi nesse momento que a disputa ganhou uma dimensão que ultrapassa o antitruste. David Ellison afirmou que, se não houver uma negociação com os estados, a Paramount começará a retirar suas operações da Califórnia a partir de 1º de outubro. Tennessee e Texas foram citados como alternativas, e Austin passou a aparecer com mais força nas discussões sobre uma possível expansão das operações da empresa.
A ameaça é significativa. Mas precisa ser interpretada com cuidado. Transferir uma sede corporativa é possível. Transferir Hollywood é outra coisa. Hollywood não é apenas um endereço. É uma concentração de profissionais, sindicatos, estúdios, fornecedores, pós-produção, agentes, produtores, locações e uma infraestrutura construída ao longo de mais de um século. Uma companhia pode reduzir sua presença na Califórnia. Pode transferir departamentos. Pode construir novos estúdios em outros Estados.
Mas transformar Austin, Atlanta ou Nashville em uma nova Hollywood não acontece simplesmente porque uma empresa decidiu mudar de endereço. Ainda assim, a ameaça é politicamente poderosa.
E o governador Gavin Newsom finalmente entra em cena
Durante boa parte da disputa, Gavin Newsom, governador da Califórnia, permaneceu relativamente distante. Agora, não mais. O governador declarou que prefere ver a questão resolvida em uma mesa de negociação, e não em um tribunal. Também afirmou levar a sério a possibilidade de a Paramount reduzir sua presença na Califórnia.
A posição de Newsom é compreensível. A Califórnia não está apenas tentando proteger um mercado cinematográfico. Está tentando preservar uma indústria que representa empregos, arrecadação e uma parte importante da identidade econômica do Estado. Mas existe uma peculiaridade institucional. Newsom não pode simplesmente mandar Bonta retirar o processo. O procurador-geral tem sua própria autoridade jurídica e continua defendendo a necessidade de concessões estruturais. Assim, o governador pode pressionar por uma solução. Mas quem está sentado à mesa de negociação é Bonta.
Segunda-feira pode ser o começo do fim — ou apenas mais um capítulo
É nesse ponto que chegamos ao presente. Nesta segunda-feira (24), Paramount e os procuradores-gerais estaduais deverão conversar sobre um possível acordo. O simples fato de as partes estarem sentadas à mesma mesa já representa uma mudança de ambiente. Mas não significa que o acordo esteja próximo. Bonta deixou claro que não aceitará simplesmente as promessas apresentadas até agora. Ellison, por sua vez, tem pouco espaço para fazer concessões que comprometam a lógica econômica da aquisição.
E o relógio financeiro está correndo. A questão, portanto, não é mais simplesmente se a Paramount está comprando a Warner? A pergunta mais tensa, agora é, quanto da Warner a Paramount terá de abrir mão para conseguir comprá-la?
Há uma ironia histórica nessa história. Paramount e Warner Bros. nasceram em uma Hollywood muito diferente da atual A Paramount Pictures nasceu em 1912 e a Warner Bros. nasceu em 1923. Eram empresas construídas em uma época na qual os grandes estúdios controlavam praticamente toda a cadeia cinematográfica: produção, distribuição e, durante décadas, até a exibição.
O mundo mudou. A televisão rompeu o domínio dos estúdios. O cabo criou novos conglomerados. O VHS transformou o negócio de distribuição. O DVD criou uma nova fonte de receitas. A internet desmontou antigas fronteiras. E o streaming colocou empresas de tecnologia no centro da indústria do entretenimento. Agora, mais de cem anos depois, duas das marcas históricas dessa Hollywood podem novamente ocupar o mesmo espaço corporativo.
Só que a pergunta já não é simplesmente quem será dono de quem. É que tipo de Hollywood surgirá depois disso.
Se a aquisição for concluída, David Ellison terá realizado uma das maiores transformações corporativas da história do entretenimento americano. A nova companhia reunirá uma quantidade extraordinária de estúdios, canais, plataformas, franquias e bibliotecas.
Se a operação for bloqueada, a decisão poderá representar algo igualmente importante: um sinal de que os Estados Unidos estão dispostos a impor limites à concentração de poder na indústria tradicional de entretenimento, mesmo quando a operação recebe aprovação de dezenas de autoridades regulatórias pelo mundo.
E há ainda uma terceira possibilidade: um acordo.
Nesse caso, a fusão poderá sobreviver, mas talvez não seja exatamente a fusão que David Ellison imaginou quando começou sua campanha pela Warner. É essa negociação que começa agora. A Paramount quer a Warner. Os estados querem garantias. Hollywood quer previsibilidade. Os acionistas querem o dinheiro. Os sindicatos querem empregos. Os exibidores querem filmes. E David Ellison quer tempo. O problema é que, neste momento, é justamente o tempo que ele menos tem.
Epílogo: duas empresas, uma história
Paramount e Warner Bros. atravessaram juntas praticamente toda a história do cinema americano sem jamais pertencerem à mesma companhia. Foram concorrentes durante a era dos grandes estúdios, sobreviveram ao nascimento da televisão, enfrentaram crises, mudanças tecnológicas, transformações culturais e sucessivas ondas de consolidação empresarial.
Agora, pela primeira vez, existe uma possibilidade concreta de que seus destinos sejam unidos. A ironia é que a decisão não será tomada em um estúdio de Hollywood. Nem em uma sala de roteiristas. Nem em uma reunião de executivos. Ela poderá ser definida em uma mesa de negociação ou, em última instância, em um tribunal federal da Califórnia.
E qualquer que seja o resultado, uma coisa já parece certa: a história da Paramount e da Warner Bros. entrou em seu capítulo mais importante.



