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Dallas: a série que transformou a televisão

Dallas a série que transformou a televisão

Dallas, o drama sobre uma família texana de Magnatas do Petróleo e do Gado, chega ao streaming através da Amazon Prime Video.

 

Poucas séries de televisão conseguiram transformar dinheiro, poder, ambição e conflitos familiares em um fenômeno mundial como Dallas. Exibida originalmente pela CBS entre 1978 e 1991, a produção criada por David Jacobs acompanhou durante 14 temporadas as disputas da família Ewing, proprietária de um império petrolífero no Texas, e construiu uma das mais conhecidas famílias da história da televisão americana. Ao todo, foram 357 episódios.

Agora, as seis primeiras temporadas chegam ao catálogo da Amazon, oferecendo a oportunidade de reencontrar a série justamente em sua fase de consolidação, quando os personagens ainda estavam estabelecendo as relações que transformariam Dallas em referência para as grandes novelas televisivas exibidas no horário nobre.

 

A Família Ewing

No centro da história está Southfork, a propriedade da família Ewing, comandada por Jock Ewing, patriarca interpretado por Jim Davis, da clássica série Brigada 8 (1958). Ao seu redor estão a esposa, Miss Ellie (Barbara Bel Geddes – Janela Indiscreta)), e os filhos J.R. (Larry Hagman – Jennie é um Gênio), Bobby (Patrick Duffy – O Homem do Fundo do Mar) e a neta Lucy, feita por Charlene Tilton.

O casamento de Bobby com Pamela Barnes (Victoria Principal</strong> – Terromoto) acrescenta imediatamente uma nova dimensão ao conflito. Principalmente por que os Barnes são inimigos históricos dos Ewing.

A rivalidade ganha sua principal expressão através de J.R. Ewing, personagem que se tornaria praticamente sinônimo de vilão televisivo. Ambicioso, manipulador e disposto a usar praticamente qualquer recurso para proteger seus negócios e ampliar seu poder, J.R. encontrou em Larry Hagman o intérprete perfeito. O ator conseguiu transformar um personagem originalmente concebido como uma figura negativa em um dos protagonistas mais populares da televisão americana.

Ao lado dele estava Sue Ellen Ewing, interpretada por Linda Gray, esposa de J.R. e uma das personagens que mais se beneficiaram da longa duração da série. Seu casamento turbulento, marcado pela infidelidade, pelo alcoolismo e pelas constantes manipulações do marido, transformou Sue Ellen em uma personagem muito mais complexa do que a simples esposa do vilão.

E também Cliff Barnes (Ken Kercheval), filho do ex-socio de Jock e agora, inimigo mortal dos Ewings. Mesmo quando as histórias se concentravam nos negócios da Petróleo Ewing, os conflitos pessoais davam à série uma dimensão de drama familiar que ajudou a ampliar seu público.

 

Petróleo, dinheiro e poder

Um dos elementos que ajudam a explicar a longevidade da série é justamente a maneira como Dallas combinou o drama familiar com o universo empresarial. A Petróleo Ewing não era apenas o cenário para as disputas de J.R. e Cliff Barnes. O petróleo representava poder, influência e a possibilidade de determinar o futuro da família.

Bobby funcionava como contraponto moral ao irmão. J.R. enxergava negócios e relacionamentos como instrumentos para alcançar seus objetivos.  Bobby procurava preservar os valores familiares e evitar que Southfork se transformasse exclusivamente em uma extensão dos negócios dos Ewing.

Essa oposição entre os dois irmãos forneceu boa parte do combustível dramático da série. J.R. representava a ambição sem limites; Bobby, uma tentativa de conciliar riqueza e princípios.

Mais do que uma locação, Southfork tornou-se um dos símbolos de Dallas. A mansão e suas terras funcionavam como ponto de encontro de personagens, palco de confrontos e representação física do patrimônio construído pelos Ewing.

As discussões dos Ewing entravam em vários temas. Mesmo na pior das tempestade, Southfork era território neutro. A propriedade ajudava a dar à série uma identidade visual tão forte quanto seus personagens.

 

Uma série que criou um modelo

O sucesso de Dallas ajudou a consolidar o chamado prime-time soap, o drama seriado de horário nobre que combinava grandes fortunas, conflitos familiares, romances, traições e disputas empresariais. A fórmula seria explorada em outras produções da época. Entre elas, Knots Landing (1979) e Dinastia (1981).

É importante ressaltar que Dallas não dependia de golpes narrativos. A força da produção estava na construção de personagens que podiam permanecer durante anos em conflito, mudar de posição, formar novas alianças e retornar às mesmas disputas sob perspectivas diferentes.

Mesmo com altos e baixos como sempre acontece numa série de longa duração, as 14 temporadas de Dallas ajudaram a consolidade esse tipo de drama sobre poder e família, como nenhuma outra série conseguiu. É um momento da história da TV mundial que merece ser conhecida.

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