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Entrando na Academia da Frota Estelar

Não vou dizer que tinha expetativa em relação à nova série
de Jornada nas Estrelas, Academia da Frota Estelar. Mesmo sendo um trekker de
carteirinha, não crio expectativas para não ficar frustrado com o resultado.
Aliás, tenho feito isso desde que fui pego no trailer do filme O Fator Netuno,
de 1973. Pensei que era um tremendo filme sobre o fundo do mar, mas sai do
cinema com a sensação de ter visto um filme sobre um aquário gigante feito com
lentes de aumento.

O fato é que a nova série já causou uma certa tensão quando
foi anunciada e sua produção ganhou sinal verde após Holly Hunter ter assinado
para ser a personagem adulta principal dessa jovem versão de qualquer produção
americana no cinema o na televisão, sobre o jovem americano indo para a
faculdade. Na realidade, não é, como muitos críticos inicialmente falaram, uma
versão futurista de Barrados no Baile (1990).

Passa longe disso. A nova série, ainda sobre direção de Alex
Kurztman, responsável pelas produções da franquia Jornada nas Estrelas na
Paramount+, pelo já visto nos primeiros episódios, é o canto do cisne do
produtor. Desde a compra do estúdio de Adolph Zuckor por David Ellison, da
Skydance, a nova política de produção tanto no cinema como para televisão é
focar nos valores da família americana tradicional. Ou seja, nada de Sete de
Nove, a androide de Jornada nas Estrelas – Voyager (1995), se engraçar com outras
mulheres como aconteceu na série Picard (2020).

Muitos já imaginavam pelo fato de que uma academia teria uma
grande variedade de personagens diferentes e de outros planetas, a série
poderia resvalar no politicamente correto ou na diversidade sem limites. Pelo
visto nos dois primeiros episódios disponíveis no Paramount+, a série vai
mostrar as relações entre os personagens, como em qualquer outra produção sobre
jovens descobrindo suas próprias identidades.

A série começa com a chanceler Nahla Ake (Holly Hunter),
lembrando sobre a Queima, um estranho evento que praticamente destruiu quase
todos os motores de dobra no início do século 30. Isso destruiu a Federação
Unida de Planetas, quase isola a Terra e outros planetas importantes e,
destruiu a Academia da Frota. A solução para o problema da Queima está na
terceira temporada de Star Trek Discovery que, aliás, mostra que a atual
produção é um spin-off desta mesma série.

Nahla é chamada para dirigir a Academia que voltará a ser em
São Francisco, já que a Terra agora, já voltou a fazer parte da Nova Federação.
Ela, por sua vez, carrega o peso de uma ordem judicial que separou mãe (Tatiana
Maslani) do filho de seis anos Cabeb (Sandro Rosta). Após 15 anos, ela consegue
localizar Caleb, que é procurado por pirataria, e o convence a escolher entre a
prisão e se tornar membro da Academia. Bela escolha.

Na realidade, Caleb sabe que pode usar a estrutura da
Academia para tentar localizar a mãe, que ele não vê ou tem notícias desde que
se separaram. É claro que o personagem não é aquele tipo de se contentar com
qualquer coisa. Felizmente, Caleb não é do tipo que sofre de mimimi, mesmo
quando impõe sua opinião sobre algum problema que ele mesmo está envolvido.

Um dos momentos marcantes do primeiro episódio é o ataque de
uma nave pirata liderada por Nus Braka (Paul Giamatti) contra a USS Athena, a
nave que está indo para a Terra para ser a sede da nova Academia da Frota
Estelar. Braka ganha com a interpretação de Giamatti, tornando-se aquele tipo
de vilão que não apenas ameaça com o terror mais tecnológicos seus
antagonistas, como se diverte com isso. O diálogo dele com Nahla é um impagável.

Outro destaque é a participação regular da série de outros
personagens de outras séries da franquia, como o Doutor Holográfico, de
Voyager, feito por Roberto Picardo. Tem a engenheira Jett Reno (Tig Notaro), de
Discovery, além de Odeh Fehr, como o almirante Charles Vance, também das
temporadas de Discovery passadas no século 32. Há também a primeira-oficial da Athena,
Lura Thok (Gina Yashere), que é descendente de klingons com os guerreiros Jem’Hadar.

Além de Caleb, sua “turma” da Academia é composta de Jay-Den
(Karin Diané), o primeiro klingon que quer fazer medicina; tem Sam (Kerrice
Brooks), um ser criado a partir de hologramas, mas parece uma criança
hiperativa procurando respostas para suas próprias perguntas; já Genesis (Bella
Shepard) é a filha superdotada de uma família proeminente e possível interesse
amoroso de Darem (George Hawkins) o valentão rico com pais malvados; a última
da turma é Tarima (Zoë Sadal) a princesa betazed que vai entrar no caminho de
Caleb.

Se existe alguma crítica pessoal à produção é o visual da
Academia. Além de usarem materiais transparentes, a iluminação dos corredores e
das áreas comuns, lembra um moderno shopping center. Se foi intencional ou não,
já que ainda hoje é possível imaginar que passear nos shoppings é vital para a
juventude. Será?

Academia da Frota Estelar não é a grande sacada da Paramount
para manter os fãs fiéis ligados na franquia. É divertida, tem um elenco que
sustenta os episódios, e algumas referências ao cânone de Jornada nas Estrelas.
O legal é que você não precisa conhecer nada de Jornada nas Estrelas para
gostar ou assistir a série. Num dos diálogos entre Vance e Nahla, ele fala da
importância da Academina para essa geração de jovens, que estão herdando um
mundo destruído que eles não criaram e precisam ajudar a concertar. Uma frase
que parece se espelhar no que está acontecendo no mundo atual.

E, claro, é um belo presente para celebrar os 60 anos da
estreia de Jornada nas Estrelas na Televisão. Jornada nas Estrelas – Academia
da Frota Estelar é uma experiência nova, com gente nova tentando mostrar que a
aventura já começou e você tem que acompanhá-la aonde nenhum homem jamais
esteve.

Os dois primeiros episódios de Jornada nas Estrelas –
Academia da Frota Estelar estão disponíveis no Paramount+. Novos episódios
chegarão sempre às quintas-feiras no canal streaming.

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