Emergência Nuclear: Sucesso Internacional
Série produzida pela Gulane sobre o acidente nuclear ocorrido em Goiânia nos anos 80, ganha destaque em vários países pela Netflix.
O diretor Fernando Coimbra, conhecido por trabalhos como Narcos e Perry Mason, alcançou o topo global da Netflix com a série brasileira Emergência Nuclear, inspirada em uma das maiores tragédias nucleares fora de usinas já registradas. A produção liderou o ranking de séries não faladas em inglês entre 23 e 29 de março, somando mais de 10,8 milhões de visualizações e entrando no Top 10 em mais de 55 países — um feito que, segundo Coimbra, evidencia que “há um interesse mundial no que estamos fazendo no Brasil”.

Baseada no acidente com o césio-137 ocorrido em Goiânia, em
1987, a série reconstitui o episódio em que dois homens encontraram, em um
aparelho abandonado de radioterapia, um pó azul brilhante — sem saber que se
tratava de material altamente radioativo. O caso resultou em quatro mortes
diretas e mobilizou mais de 100 mil exames de contaminação, tornando-se um dos
acidentes mais graves do tipo no mundo.
Criada por Gustavo Lipsztein e produzida pela Gullane, a
série conta com um elenco liderado por Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Bukassa
Kabengele e Antonio Saboia.
Coimbra destaca que o grande diferencial da narrativa está
na multiplicidade de perspectivas: “O que eu adorei no projeto foi a variedade
de pontos de vista. Temos as vítimas, os físicos, os médicos, o governo…”.
Segundo ele, a construção dramática buscou equilíbrio entre tensão e
humanidade, apostando em um thriller com forte base emocional.
Uma das decisões criativas mais importantes foi estruturar o
primeiro episódio de forma mais enigmática: “Tivemos a ideia de deixar as
explicações para o segundo episódio, fazendo do piloto uma peça mais sensorial
— só no final você entende o que está acontecendo, um pouco como em ‘Tubarão’
[risos]”.
Ao adaptar uma história real, o diretor optou por evitar o
sensacionalismo. “A maneira de não sensacionalizar era manter tudo muito
realista e pé no chão”, afirma. Para isso, a produção investiu em preparação
intensa do elenco e abriu espaço para improvisações, buscando naturalidade nas
relações. “Eu queria que parecesse o mundo real, com pessoas reais.”
No aspecto visual, Coimbra ressalta a importância de uma
equipe técnica de alto nível, citando o diretor de fotografia Adrian Tejido e o
diretor de arte Marcos Pedroso: “Quando você tem essas mentes brilhantes ao seu
lado, tudo começa a se encaixar.”
Além do sucesso de audiência, a série se insere em um momento de forte projeção internacional do audiovisual brasileiro. “Você tem a sensação de que isso poderia acontecer agora”, diz o diretor, apontando temas como desigualdade social e desconfiança nas instituições como elementos ainda atuais. Ele também observa que esse movimento não é planejado: “É algo natural. Levou muitos anos de trabalho, mas finalmente o mundo está olhando para o Brasil.”
Sobre o impacto do sucesso global, Coimbra admite surpresa:
“Com a Netflix, é um boom — de repente, está em todo o mundo. Dá para ver que
as pessoas estão realmente gostando.”
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