A Venda da WarnerBros.Discovery: Nova Proposta da Netflix

Ainda está longe do maior negócio do século na área de comunicação chegar a um final possível feliz.

publicado por Dan Auguste em 20/01/2026 19:38:00

Nunca na história da economia americana, uma empresa de criação de conteúdo foi tão disputada. Desde que a WarnerBros.Discovery abriu a possibilidade de vender seus ativos, o mercado americano entrou numa corrida sem fôlego para ver quem consegue chegar à final. Mesmo com indícios de que a Netflix já está se preparando para assumir o prédio central dos Estúdios da Warner Bros em Burbank, do lado de fora, a Paramount Skydance continua pressionando os acionistas com uma oferta avassaladora.

Na história recente dos produtores de conteúdo, a Warner fazia parte do grupo Time-Warner, até ser comprada pela AT&T, que criou uma nova configuração batizada de Warnermedia, responsável pelas áreas de cinema, televisão, e distribuição das duas mídias. A operação, internamente, não funcionou, deixando a AT&T com a sensação que não fez um bom negócio, colocando a Warnermedia no mercado para quem estivesse interessado em compara a nova empresa.

Quem surgiu no horizonte foi a Discovery, que aproveitou o momento, e fechou a compra por pouco mais de 40 bilhões de dólares. Até metade de 2025, a ideia era dividir a nova WarnerBros.Discovery em duas empresas distintas: uma cuidaria da produção de conteúdo e outra, da operação dos canais lineares como CNN, Foodnetwork, TNT, os canais Discovery, sob o nome de Discovery Globakl.

Antes mesmo de começar a separar a mobília, três outras corporações acenderam os holofotes do interesse na comprar da empresa: Comcast, que é dona da Universal e NBC, a Paramount Skydance e a Netflix. E as negociações começaram e se transformaram numa pequena guerra bilionária, quando a proposta da Netflix foi abalroada pela Paramount.

Basicamente, o interesse da Netflix é fica apenas com os estúdios de produção e a divisão streaming, enquanto a Paramount Skydance ficaria com toda a empresa, incluindo a operação de TV. E para isso, pagaria algo em torno de 108 bilhões de dólares, uma bela grana no final do dia.

O lobby para que a empresa ficasse com a Netflix é grande. Enquanto Ted Sarandos, o poderoso executivo da Netflix, visitava “seus” futuros estúdios em Burbank, David Ellison, da Paramount Skydance acionou seu departamento jurídico e fez uma oferta que os acionistas não recusariam, no melhor estilo Don Corleone, 30 dólares por ação em dinheiro.

O conselho administrativo da Warner Bros. Discovery reagiu repetidamente a essas propostas, rejeitando as ofertas da Paramount por considerá-las inferiores em segurança e risco — especialmente por dependerem fortemente de financiamento por dívida e por oferecerem menos certeza de conclusão. O conselho também reiterou seu apoio à transação com a Netflix, que foi considerada mais estável, com menor risco de não fechamento e com maior valor total para os acionistas.

Na 20 de janeiro de 2026, a negociação sofreu um ajuste importante: a Netflix revisou sua proposta original e a transformou em uma oferta totalmente em dinheiro, mantendo o valor de US$ 82,7 bilhões (cerca de US$ 27,75 por ação), medida que simplifica a estrutura da transação e oferece mais certeza de valor para os acionistas da WBD. Essa mudança foi respaldada de forma unânime pelo conselho da Warner como forma de fortalecer o acordo contra a oferta rival da Paramount — que também era em dinheiro e de valor maior no papel.

Embora a Netflix esteja agora na frente em termos de apoio interno da WBD, a disputa com a Paramount continua intensa. A Paramount, além de manter sua oferta hostil, entrou com uma ação judicial pedindo que a Warner Discovery divulgue mais informações financeiras e sobre como seu conselho avaliou as propostas concorrentes. Isso faz parte de uma estratégia para convencer acionistas de que sua oferta é mais vantajosa e que a WBD não mostrou transparência suficiente ao lidar com o processo.

Do ponto de vista jurídico e regulatório, a transação enfrenta várias camadas de complexidade. Como qualquer negócio de fusão ou aquisição de grande porte, explicitações detalhadas e revisões sob as leis de valores mobiliários e fiduciárias são exigidas — razão pela qual a Paramount busca contestar tanto os termos apresentados quanto o processo de avaliação. Além disso, a mudança para uma oferta totalmente em dinheiro pela Netflix também altera alguns dos parâmetros de compliance e requisitos de divulgação.

Outro aspecto importante é o escrutínio regulatório antitruste que ambas as propostas deverão enfrentar. Nos Estados Unidos e em jurisdições internacionais (como a União Europeia), órgãos de concorrência examinam se a combinação de grandes empresas de conteúdo e distribuição pode resultar em redução da competição, concentração excessiva de mercado ou prejuízo ao consumidor. Há relatos públicos de que figuras políticas e autoridades regulatórias levantaram preocupações sobre como uma fusão entre a Netflix e a Warner Bros. Discovery poderia influenciar o mercado — especialmente em segmentos como streaming e produção de conteúdo.

Além disso, a transação da Netflix com a WBD não abrange todos os ativos da empresa: canais tradicionais de TV, como CNN e outros negócios de cabo, estão planejados para serem separados em uma entidade independente chamada “Discovery Global”, cujo controle e estrutura financeira também estão sendo tratados como parte do acordo. Isso é relevante porque parte das críticas da Paramount e de outros investidores é que a avaliação desses ativos pode afetar a percepção de qual oferta é realmente superior.

Por fim, a conclusão do negócio ainda depende de mais aprovações dos acionistas da Warner Bros. Discovery, que devem votar sobre a transação com a Netflix — uma votação que, com a revisão da oferta, pode ser antecipada para ocorrer até abril de 2026 — e também de lançamentos regulatórios finais, que podem se estender por vários meses até que as condições de concorrência e compliance sejam atendidas.

Enquanto isso, Ted Sarandos afirma que assim que o acordo de compra da WarnerBros.Discovery for assinado, a Netflix entra definitivamente no negócio de cinema!

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