TV 3.0 : Evolução Forçada
A TV não morreu, ela está sendo forçada a evoluir, afirma Paulo Cesar Costa especialista em marketing e inteligência de dados.
Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A - empresa especializada em ciência de dados e markerting digital -, aponta que, com a chegada da TV 3.0, canais que conseguirem unir escala, dados e personalização tendem a liderar o próximo ciclo da comunicação e do mercado audiovisual

A chegada da TV 3.0 no Brasil abre um novo capítulo para a
publicidade e para a produção de conteúdo: a possibilidade real de
personalização em escala dentro de um meio historicamente massivo. Com uma base
robusta de Big Data, que permite identificar perfis familiares - como faixa de
renda, presença de filhos, propensão de consumo e indicadores de crédito - a
publicidade na TV deixa de ser genérica e passa a ser mais relevante. Em vez de
um único comercial para milhões de pessoas, torna-se possível adaptar mensagens
de acordo com o perfil de quem está assistindo, aproximando a experiência da
lógica já consolidada no ambiente digital.
Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A - empresa especializada em
ciência de dados e markerting digital -, explica que, na prática, essa
modernização do conteúdo televisivo implica em experiências ultrapersonalizadas
que impactarão tanto o grau de satisfação do usuário quanto os resultados das
campanhas publicitárias. “Estamos falando de uma mudança estrutural na forma
como a TV se relaciona com o público. A combinação entre dados e escala permite
entregar mensagens muito mais relevantes, no momento certo e para a pessoa
certa, o que aumenta o engajamento e torna o investimento publicitário mais
eficiente e mensurável”, diz.
Paulo traz uma situação hipotética na qual, em um mesmo
andar de um prédio, vizinhos de porta poderão assistir ao mesmo canal
simultaneamente, mas ver propagandas diferentes, segmentadas de acordo com os
interesses e perfil de cada um deles. É uma revolução na história da
televisão e da mídia em geral. O streaming não substituiu a televisão
tradicional, mas provocou mudanças profundas no setor ao fragmentar a
audiência, elevar o padrão de personalização e transformar a lógica da
publicidade. Nesse novo cenário, quem conseguir unir escala, dados e
personalização - como propõe a TV 3.0 -, tende a liderar o próximo ciclo da
comunicação e do mercado audiovisual, projeta o especialista.
A novidade tem impacto direto não só para anunciantes, mas
também para emissoras. A monetização tende a ganhar eficiência, já que
campanhas podem ser segmentadas com muito mais precisão, reduzindo desperdício
e aumentando conversão. Além disso, a própria programação pode evoluir, com
conteúdos e ofertas mais alinhados aos interesses de diferentes perfis de
audiência. Dados do Cenp-Meios corroboram essa tendência: a TV aberta caiu de
54,7% do share do bolo publicitário em 2019 para 46,5% em janeiro de 2025. No
mesmo período, a internet avançou de 19,1% para 36,5%, puxada pelo apetite das
marcas por anúncios de performance.
Outro ponto relevante é a integração entre TV e outros
canais. Com dados estruturados, a jornada do consumidor pode ser acompanhada de
forma mais completa: da exposição na TV até a interação em plataformas digitais
ou a conversão final. Isso cria um ecossistema onde mídia, dados e tecnologia
trabalham de forma coordenada. No contexto da TV 3.0, o diferencial não
está apenas na qualidade de imagem ou na interatividade, mas na inteligência
por trás da entrega. E é nesse bastidor, menos visível ao público, que empresas
especializadas em dados ajudam a transformar a televisão em um meio mais
eficiente, mensurável e conectado com a realidade do consumidor
brasileiro, diz Paulo.
O Ministério das Comunicações, a Anatel e a Empresa Brasil
de Comunicação (EBC) lançaram no último dia 14, em Brasília, a estação de
testes da TV 3.0, dando início à fase de validação do sistema DTV+, considerado
o avanço mais significativo da televisão aberta brasileira desde a transição do
sinal analógico para o digital. A estrutura na capital federal funcionará como
um laboratório para ajustes técnicos antes da expansão para outras capitais do
país.
Mais do que melhorar a qualidade de transmissão, a nova
geração da TV aberta propõe uma mudança na forma de consumo, aproximando a
experiência do telespectador à dos serviços de streaming e das Smart TVs. A
tecnologia traz como pilares o suporte a imagens em 4K e até 8K, com ganhos
expressivos em brilho, contraste (HDR) e nitidez; áudio imersivo, com som
tridimensional voltado a uma experiência mais envolvente; e uma nova lógica de
navegação, que tende a substituir o modelo tradicional de troca de canais por
uma interface baseada em aplicativos das emissoras, tornando o uso mais
intuitivo e dinâmico.
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