Disney+ e a japonesa The Seven juntas!
Canal streaming da Walt Disney Company reforça seu interesse estratégico em ampliar seus laços com o Japão e a produção de conteúdo daquele país.
A Disney+ deu mais um passo estratégico para ampliar sua presença global ao anunciar um acordo plurianual de codesenvolvimento com a produtora japonesa The Seven, sediada em Tóquio. A iniciativa reforça a aposta da companhia em produções originais live-action no Japão — uma prioridade crescente dentro da operação da empresa na região Ásia-Pacífico.
O acordo, cujos valores e duração não foram divulgados,
estabelece uma colaboração de longo prazo para o desenvolvimento de séries em
língua japonesa, que serão lançadas com exclusividade na plataforma. Trata-se
do primeiro compromisso desse tipo firmado pela Disney com uma produtora
japonesa, marcando uma mudança relevante em sua estratégia local, até então
mais baseada na aquisição e coprodução de projetos individuais.
Pelo novo modelo, a equipe criativa da Disney participará
desde as fases iniciais de concepção dos projetos, trabalhando de forma
integrada com os produtores da The Seven. A proposta é desenvolver histórias
com forte identidade cultural japonesa, mas com potencial de alcance global.
“Desde o lançamento do Disney+ no Japão, os conteúdos locais
e o entretenimento geral têm ganhado cada vez mais relevância em nosso
catálogo. Esta colaboração é uma evolução natural do nosso investimento na
região”, afirmou Carol Choi, vice-presidente executiva de estratégia de
conteúdo original da Disney Ásia-Pacífico. Segundo a executiva, a parceria
também aprofunda os vínculos criativos da empresa com o mercado japonês.
Fundada em 2021 como subsidiária da TBS Holdings, a The
Seven rapidamente se consolidou como uma das produtoras mais ativas do Japão no
segmento de conteúdo live-action voltado ao streaming global. Liderada por
Katsuaki Setoguchi e Akira Morii, a empresa ganhou destaque por sua colaboração
com a Netflix, firmada em 2022, que resultou em produções de grande repercussão
internacional, como Alice in Borderland e a adaptação de Yu Yu
Hakusho.
Além disso, a produtora também está por trás de projetos
como Song of the Samurai, série de época adquirida pela HBO, e mantém
parcerias com nomes de Hollywood para produções voltadas aos mercados americano
e japonês.
O novo acordo coloca a The Seven em uma posição rara no
setor: a de parceira simultânea de duas das maiores plataformas de streaming do
mundo. Esse movimento reflete tanto a escassez de produtoras japonesas com
ambição global quanto a rápida transformação do mercado audiovisual no país.
O timing da parceria acompanha o crescimento acelerado do
streaming no Japão. Segundo dados da Media Partners Asia, o setor premium no
país avançou 15% em 2025, alcançando US$ 7,2 bilhões em receita. Atualmente, a Netflix
lidera o mercado em faturamento, enquanto o Amazon Prime Video possui a maior
base de assinantes. O Disney+, por sua vez, ainda ocupa uma posição mais
modesta, com cerca de 3% do total de horas assistidas — cenário que a empresa
busca reverter com investimentos em conteúdo local.
Paralelamente, cresce o interesse global por produções
japonesas. Se o anime já é consolidado como fenômeno cultural, os conteúdos
live-action vêm ganhando espaço, impulsionados por sucessos recentes como Shogun,
produção da própria Disney que dominou o Emmy de 2024.
Para Katsuaki Setoguchi, CEO da The Seven, a parceria tem
potencial para ampliar ainda mais o alcance dessas narrativas. “Ao combinar a
criatividade refinada da The Seven com a rede global da Disney, podemos
transformar histórias japonesas na próxima grande tendência mundial”, afirmou.
Já Gaku Narita, executivo de produção da Disney no Japão,
destacou o foco em criar conteúdos duradouros: “Nosso objetivo é desenvolver
histórias que o público queira revisitar. Este acordo nos permite trabalhar
lado a lado com criadores desde o início, garantindo autenticidade e alto
padrão narrativo.”
Com a iniciativa, a Disney reforça sua estratégia de
internacionalização e aposta no Japão como um dos polos-chave para a produção
de conteúdo global nos próximos anos.
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