Dan Fogelman fala sobre Paraíso.

O criador da elogiada de ficção-científica do Disney+, fala sobre todo o processo para levar essa incrível história para a plataforma streaming.

publicado por Dan Auguste em 03/04/2026 17:57:00

A estrutura repleta de mistérios e reviravoltas de Paradise esconde um elemento pouco comum na televisão: sua história foi planejada desde o início. Criada por Dan Fogelman, responsável por outro grande momento da telinha This is Us: Histórias de Família, a produção seguiu um caminho inverso ao habitual ao desenvolver previamente todo o arco narrativo — incluindo o desfecho.

A estratégia veio à tona após a estreia da série, em janeiro de 2025. Enquanto o público acompanhava o agente Xavier Collins (Sterling K. Brown) investigando o assassinato do presidente dos Estados Unidos (James Marsden) em um cenário pós-apocalíptico, Fogelman já indicava que sabia exatamente o rumo da trama.


DAn Fogelman e Steling K. Brown


Em entrevista ao The Hollywood Reporter, divulgada pela assessoria do canal, o criador revelou que o planejamento completo surgiu após o desenvolvimento inicial do piloto, quando decidiu estruturar toda a narrativa ao lado dos roteiristas John Hoberg e Scott Weinger:

“Eu disse: ‘ok, agora sei o que quero fazer. Será uma série de três temporadas, sei para onde ela vai e qual será o formato de cada uma. Vou reescrever o piloto apenas para acomodar um pouco isso, e então apresentá-lo para pessoas que, espero, vão querer produzi-la’. Não tinha tudo planejado quando escrevi, mas quando as pessoas receberam o primeiro roteiro, eu já sabia para onde a história iria.”

Segundo Fogelman, a decisão de mapear a história com antecedência também reflete uma insatisfação recorrente com narrativas televisivas abertas:

“Fico frustrado com séries que instigam a curiosidade, mantêm o público na expectativa e têm reviravoltas, mas não dão as respostas no final da temporada. Quero oferecer um banquete completo ao final de cada episódio para o público que está envolvido. Qualquer dúvida que as pessoas tenham após os primeiros episódios deve ser respondida no final do oitavo episódio. Então, uma nova pergunta e uma nova jornada começarão, levando-nos à segunda temporada.”

Mesmo com o sucesso da primeira temporada — que alcançou ampla audiência global e reconhecimento em premiações como o Primetime Emmy Awards — o plano original foi mantido. 

“Temos esse planejamento muito preciso de três anos. A próxima temporada é meio que o episódio do meio de nossa trilogia, com o próprio começo, meio e fim”.


A segunda temporada, lançada em fevereiro de 2026, ampliou a escala da narrativa. Além de explorar as consequências dos eventos no bunker, os novos episódios acompanham Xavier fora desse ambiente e introduzem personagens como Annie (Shailene Woodley) e Link (Thomas Doherty).

O novo arco também expande o escopo temático da série. Em entrevista, Hoberg destacou a mudança de foco:

“Essa temporada é sobre: você acredita que as coisas acontecem por um motivo ou é por acaso? É uma pergunta grande, emocional, quase religiosa. Uma pergunta filosófica. Em que você acredita?”

O roteirista ressaltou ainda que o planejamento antecipado foi fundamental para conduzir essa evolução narrativa:

“Sabíamos que estaríamos no bunker na primeira temporada, que sairíamos e que [na segunda temporada] Xavier estaria procurando pela esposa. Também sabíamos que estávamos rumando para a colisão de dois mundos diferentes. Quando você tem esse começo e sabe para onde está indo, conhece os pontos altos”.



Apesar da segurança estrutural, Fogelman admite que seguir um plano tão definido também traz desafios criativos:

Continuo me lembrando de seguir o plano, porque às vezes ele pode ser um pouco assustador. Há um momento em que você pensa: nossa, as pessoas estão realmente gostando desta série e deste universo, e nós vamos para mundos e áreas diferentes. É um momento assustador em que você se questiona um pouco, mas tentamos executar o plano que sempre tivemos, o plano que apresentei a Sterling quando lhe contei pela primeira vez como seriam as três temporadas. E nos mantivemos fiéis a ele.

Os resultados, até agora, indicam que a aposta foi bem-sucedida. Pouco após o lançamento do sexto episódio, a segunda temporada acumulava mais de 30 milhões de horas assistidas, enquanto a primeira registrou 25 milhões adicionais desde a estreia do novo ano. A recepção crítica também se manteve sólida, com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Com o final da temporada no Disney+, a expectativa agora gira em torno de como a série continuará equilibrando seus mistérios com as respostas prometidas desde o início. Quem venha a terceira temporada!

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