Dan Fogelman fala sobre Paraíso.
O criador da elogiada de ficção-científica do Disney+, fala sobre todo o processo para levar essa incrível história para a plataforma streaming.
A estrutura repleta de mistérios e reviravoltas de Paradise esconde um elemento pouco comum na televisão: sua história foi planejada desde o início. Criada por Dan Fogelman, responsável por outro grande momento da telinha This is Us: Histórias de Família, a produção seguiu um caminho inverso ao habitual ao desenvolver previamente todo o arco narrativo — incluindo o desfecho.
A estratégia veio à tona após a estreia da série, em janeiro
de 2025. Enquanto o público acompanhava o agente Xavier Collins (Sterling K.
Brown) investigando o assassinato do presidente dos Estados Unidos (James
Marsden) em um cenário pós-apocalíptico, Fogelman já indicava que sabia
exatamente o rumo da trama.

DAn Fogelman e Steling K. Brown
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, divulgada pela assessoria do canal, o criador revelou que o planejamento completo surgiu após o desenvolvimento inicial do piloto, quando decidiu estruturar toda a narrativa ao lado dos roteiristas John Hoberg e Scott Weinger:
“Eu disse: ‘ok, agora sei o que quero fazer. Será uma série
de três temporadas, sei para onde ela vai e qual será o formato de cada uma.
Vou reescrever o piloto apenas para acomodar um pouco isso, e então
apresentá-lo para pessoas que, espero, vão querer produzi-la’. Não tinha tudo
planejado quando escrevi, mas quando as pessoas receberam o primeiro roteiro,
eu já sabia para onde a história iria.”
Segundo Fogelman, a decisão de mapear a história com
antecedência também reflete uma insatisfação recorrente com narrativas
televisivas abertas:
“Fico frustrado com séries que instigam a curiosidade,
mantêm o público na expectativa e têm reviravoltas, mas não dão as respostas no
final da temporada. Quero oferecer um banquete completo ao final de cada
episódio para o público que está envolvido. Qualquer dúvida que as pessoas
tenham após os primeiros episódios deve ser respondida no final do oitavo
episódio. Então, uma nova pergunta e uma nova jornada começarão, levando-nos à
segunda temporada.”
Mesmo com o sucesso da primeira temporada — que alcançou
ampla audiência global e reconhecimento em premiações como o Primetime Emmy
Awards — o plano original foi mantido.
“Temos esse planejamento muito preciso de três anos. A
próxima temporada é meio que o episódio do meio de nossa trilogia, com o
próprio começo, meio e fim”.
/extras/conteudos/paradise-tres-temporadas.jpg)
A segunda temporada, lançada em fevereiro de 2026, ampliou a
escala da narrativa. Além de explorar as consequências dos eventos no bunker,
os novos episódios acompanham Xavier fora desse ambiente e introduzem
personagens como Annie (Shailene Woodley) e Link (Thomas Doherty).
O novo arco também expande o escopo temático da série. Em
entrevista, Hoberg destacou a mudança de foco:
“Essa temporada é sobre: você acredita que as coisas
acontecem por um motivo ou é por acaso? É uma pergunta grande, emocional, quase
religiosa. Uma pergunta filosófica. Em que você acredita?”
O roteirista ressaltou ainda que o planejamento antecipado
foi fundamental para conduzir essa evolução narrativa:
“Sabíamos que estaríamos no bunker na primeira temporada,
que sairíamos e que [na segunda temporada] Xavier estaria procurando pela
esposa. Também sabíamos que estávamos rumando para a colisão de dois mundos
diferentes. Quando você tem esse começo e sabe para onde está indo, conhece os
pontos altos”.

Apesar da segurança estrutural, Fogelman admite que seguir
um plano tão definido também traz desafios criativos:
Continuo me lembrando de seguir o plano, porque às
vezes ele pode ser um pouco assustador. Há um momento em que você pensa:
nossa, as pessoas estão realmente gostando desta série e deste universo, e nós
vamos para mundos e áreas diferentes. É um momento assustador em que você se
questiona um pouco, mas tentamos executar o plano que sempre tivemos, o plano
que apresentei a Sterling quando lhe contei pela primeira vez como seriam as
três temporadas. E nos mantivemos fiéis a ele.
Os resultados, até agora, indicam que a aposta foi
bem-sucedida. Pouco após o lançamento do sexto episódio, a segunda temporada
acumulava mais de 30 milhões de horas assistidas, enquanto a primeira registrou
25 milhões adicionais desde a estreia do novo ano. A recepção crítica também se
manteve sólida, com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Com o final da temporada no Disney+, a expectativa agora
gira em torno de como a série continuará equilibrando seus mistérios com as
respostas prometidas desde o início. Quem venha a terceira temporada!
Tags :