A Venda da WarnerBros.Discovery: Nova Proposta da Netflix
Ainda está longe do maior negócio do século na área de comunicação chegar a um final possível feliz.
Nunca na história da economia americana, uma empresa de criação de conteúdo foi tão disputada. Desde que a WarnerBros.Discovery abriu a possibilidade de vender seus ativos, o mercado americano entrou numa corrida sem fôlego para ver quem consegue chegar à final. Mesmo com indícios de que a Netflix já está se preparando para assumir o prédio central dos Estúdios da Warner Bros em Burbank, do lado de fora, a Paramount Skydance continua pressionando os acionistas com uma oferta avassaladora.
Na história recente dos produtores de conteúdo, a Warner
fazia parte do grupo Time-Warner, até ser comprada pela AT&T, que criou uma
nova configuração batizada de Warnermedia, responsável pelas áreas de cinema,
televisão, e distribuição das duas mídias. A operação, internamente, não
funcionou, deixando a AT&T com a sensação que não fez um bom negócio,
colocando a Warnermedia no mercado para quem estivesse interessado em compara a
nova empresa.
Quem surgiu no horizonte foi a Discovery, que aproveitou o
momento, e fechou a compra por pouco mais de 40 bilhões de dólares. Até metade
de 2025, a ideia era dividir a nova WarnerBros.Discovery em duas empresas
distintas: uma cuidaria da produção de conteúdo e outra, da operação dos canais
lineares como CNN, Foodnetwork, TNT, os canais Discovery, sob o nome de
Discovery Globakl.
Antes mesmo de começar a separar a mobília, três outras
corporações acenderam os holofotes do interesse na comprar da empresa: Comcast,
que é dona da Universal e NBC, a Paramount Skydance e a Netflix. E as negociações
começaram e se transformaram numa pequena guerra bilionária, quando a proposta
da Netflix foi abalroada pela Paramount.
Basicamente, o interesse da Netflix é fica apenas com os
estúdios de produção e a divisão streaming, enquanto a Paramount Skydance
ficaria com toda a empresa, incluindo a operação de TV. E para isso, pagaria
algo em torno de 108 bilhões de dólares, uma bela grana no final do dia.
O lobby para que a empresa ficasse com a Netflix é grande. Enquanto
Ted Sarandos, o poderoso executivo da Netflix, visitava “seus” futuros estúdios
em Burbank, David Ellison, da Paramount Skydance acionou seu departamento jurídico
e fez uma oferta que os acionistas não recusariam, no melhor estilo Don
Corleone, 30 dólares por ação em dinheiro.
O conselho administrativo da Warner Bros. Discovery reagiu
repetidamente a essas propostas, rejeitando as ofertas da Paramount por
considerá-las inferiores em segurança e risco — especialmente por dependerem
fortemente de financiamento por dívida e por oferecerem menos certeza de
conclusão. O conselho também reiterou seu apoio à transação com a Netflix, que
foi considerada mais estável, com menor risco de não fechamento e com maior
valor total para os acionistas.
Na 20 de janeiro de 2026, a negociação sofreu um ajuste
importante: a Netflix revisou sua proposta original e a transformou em uma oferta
totalmente em dinheiro, mantendo o valor de US$ 82,7 bilhões (cerca de US$
27,75 por ação), medida que simplifica a estrutura da transação e oferece mais
certeza de valor para os acionistas da WBD. Essa mudança foi respaldada de
forma unânime pelo conselho da Warner como forma de fortalecer o acordo contra
a oferta rival da Paramount — que também era em dinheiro e de valor maior no
papel.
Embora a Netflix esteja agora na frente em termos de apoio
interno da WBD, a disputa com a Paramount continua intensa. A Paramount, além
de manter sua oferta hostil, entrou com uma ação judicial pedindo que a Warner
Discovery divulgue mais informações financeiras e sobre como seu conselho
avaliou as propostas concorrentes. Isso faz parte de uma estratégia para
convencer acionistas de que sua oferta é mais vantajosa e que a WBD não mostrou
transparência suficiente ao lidar com o processo.
Do ponto de vista jurídico e regulatório, a transação
enfrenta várias camadas de complexidade. Como qualquer negócio de fusão ou
aquisição de grande porte, explicitações detalhadas e revisões sob as leis de
valores mobiliários e fiduciárias são exigidas — razão pela qual a Paramount
busca contestar tanto os termos apresentados quanto o processo de avaliação.
Além disso, a mudança para uma oferta totalmente em dinheiro pela Netflix
também altera alguns dos parâmetros de compliance e requisitos de divulgação.
Outro aspecto importante é o escrutínio regulatório
antitruste que ambas as propostas deverão enfrentar. Nos Estados Unidos e em
jurisdições internacionais (como a União Europeia), órgãos de concorrência
examinam se a combinação de grandes empresas de conteúdo e distribuição pode
resultar em redução da competição, concentração excessiva de mercado ou
prejuízo ao consumidor. Há relatos públicos de que figuras políticas e
autoridades regulatórias levantaram preocupações sobre como uma fusão entre a
Netflix e a Warner Bros. Discovery poderia influenciar o mercado —
especialmente em segmentos como streaming e produção de conteúdo.
Além disso, a transação da Netflix com a WBD não abrange
todos os ativos da empresa: canais tradicionais de TV, como CNN e outros
negócios de cabo, estão planejados para serem separados em uma entidade
independente chamada “Discovery Global”, cujo controle e estrutura financeira
também estão sendo tratados como parte do acordo. Isso é relevante porque parte
das críticas da Paramount e de outros investidores é que a avaliação desses
ativos pode afetar a percepção de qual oferta é realmente superior.
Por fim, a conclusão do negócio ainda depende de mais aprovações
dos acionistas da Warner Bros. Discovery, que devem votar sobre a transação com
a Netflix — uma votação que, com a revisão da oferta, pode ser antecipada para
ocorrer até abril de 2026 — e também de lançamentos regulatórios finais, que
podem se estender por vários meses até que as condições de concorrência e
compliance sejam atendidas.
Enquanto isso, Ted Sarandos afirma que assim que o acordo de
compra da WarnerBros.Discovery for assinado, a Netflix entra definitivamente no
negócio de cinema!
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